Num piscar de olhos, por acaso,
Vi uma criança sentada na calçada, chorando.
Menino pequeno, agachado de cócoras,
Soluçando os problemas do Brasil.
País grande de intermitente fome e desprezo,
A rondar as inteligências juvenis.
Menino chorando por falta de dinheiro e amor
E sem ninguém para solucionar o seu problema.
As instituições proclamam a solidariedade,
Mas onde a achamos e o que dizer
Quando encontramos uma alma pequenina
Desemparada e que não confia em ninguém?
Que sociedade humana é essa
Quando se perde o bom senso em seu seio?
Nos olhos desesperançosos e lacrimosos da
Criança, o abandono está institucionalizado.
Eu quis dar-lhe um amparo, chamando a polícia
Para ajudá-lo, mas você não me deu tempo,
Fugiu, porque não confia na polícia e em mim.
O seu desespero é a de um coração só e desconfiado.
Pequeno: hoje dormirei e sonharei com você,
Vendo-o sorrindo, correndo livremente na
Garupa de uma bicicleta, com a brisa do vento
Em seus olhos brilhantes de alegria e vida!
Mas, infelizmente, acordarei do sonho e amanhã,
Novamente, sei que vai estar choramingando
Porque, com certeza, não tem tempo para brincar,
Mas só para trabalhar e garantir algum dinheiro diário.
Ganhar dinheiro para continuar sobrevivendo,
Sob pressão, para fazer jus a um teto para morar.
Como mudar essa situação, essa tristeza,
Essa melancolia que faz doer nossos corações?
Vento sul e brisa suave fresca, sol quente ou ameno:
Vocês nascem para todos e todos têm alma e coração!
Que todas as almas e corações sintam que vale a pena
Viver, com direitos conquistados, com paz e com felicidade!
(*) Prosa poética escrita há alguns anos atrás,
após Naza Poeta Holístico encontrar um menino
de 10 (dez) anos na rua, sentado na calçada, no
centro de Florianópolis, chorando, abandonado
por seus pais, e tendo que arrumar algum dinheiro
para pagar o aluguel à sua avó.
Naza Poeta Holístico
Publicado no Recanto das Letras em 04/03/2010
Código do texto: T2119690
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sábado, 15 de maio de 2010
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